E ela estava feliz. Só que antes havia passado por algumas provações; decepção, desemprego, término, maternidade, falta de amor próprio e medo de enfrentar tudo aquilo sozinha.
Aos poucos tudo foi encontrando seu lugar. O primeiro passo foi perceber que não era vítima de nada, o que ela sempre dizia agora fazia sentido: "Toda escolha exige uma renúncia". E foi assim que tudo foi se ajeitando. Aceitou que só havia se decepcionado porque idealizou demais, o desemprego fora uma opção, o término era inevitável e a maternidade também havia sido uma escolha. Enfrentar aquilo sozinha era o que a assustava, arcar com o peso da responsabilidade que até um momento atrás era dividida, com o peso da cobrança da sociedade e com o medo de falhar; falhar como mãe, falhar como mulher, falhar como ser humano.
Após um K de lágrimas lavando sua face escolheu seguir em frente e renunciar seu medo. Decidiu enfrentar o que viesse e se não conseguisse, pediria ajuda (nem que fosse divina, alguma haveria de surgir). Enfrentou. Enfrentou pessoas querendo decidir sobre seu parto, sobre seus relacionamentos, suas decisões, enfim, sua vida. Passou por uma série de desaprovações de seres que ela nem conhecia. Passou de cabeça erguida, com aquele belo sorriso indiferente àquilo que não consentia. Não foi fácil, ela também não esperava que fosse. Mas nessa dificuldade os dias eram ensolarados pelos sorrisos de sua filha, amigos reapareceram e a distância do que lhe fazia insegura trouxe o amor próprio de volta. E ela estava feliz. E isso bastava.

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